quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Da porta do hospício.

Duplipensei;  sentidos anafóricos permeiam-me, inatos, como uma seiva.  
Rezarei ao nada. 
Clamarei pelo desconhecido. 
Amarei alguém alheio.
Chorarei por àqueles cujas vidas estão, enfim, vivas:
Pois, de fato, não há o que cantar aos que jazem em minha mente.
A arrogância será implacável; todos são pedras, afinal.
Um vivo, um morto e uma pendência. 
Tão diferentes.
Tão proféticos na arte de semear o nada.
O primeiro declarou-se verdadeiramente apaixonado. 
Enterrem-no. 
Não saberias diferenciar entre amor e ódio.
A alma, o menor dos culpados, será massacrada.
Não sobrará nada, destarte.
Enfim, tratem de enterrá-lo ao longe, à mercê dos lírios, pois este não gerará proteção embrionária:
Porque, felizmente, não há sementes,
sem mentes. 
Tragam-me o próximo.
O segundo declarou-se amante da vida.
Distraiam-no.
Não saberias diferenciar entre escravidão e liberdade.
O corpo, eterno mosteiro de idiotas, será lembrado.
Porém, se tentavas entender a mecânica da vida, perdeu-se entre às quimeras risíveis: Os outros. 
Não perca tempo, perca a solidão. 
Busque o conjunto,
converse comigo,
venha à minha casa,
eles dizem.
Meras distrações.
Meros espantalhos.
Não há amor, por mais insólito, nesses pérfidos pacotes de sangue e carne. 
Momentos devem ser vividos.
Segundos, minutos e horas devem ser perdidos, 
transformados em amor; o verdadeiro, não o repercutido pelos outros.
Os outros não entendem sobre o amor.
Os outros estão vivos em si,
presos em si,
mortos em si.
Só estão vivos, se assim declararem, em si.
Não há relatos, o último esvaiu-se há anos, sobre transmissão de conhecimento entre os outros.
Sabemos sobre fotografias, danças e gírias. 
Nada real.
Tudo supérfluo.
Nada necessário.
Verdadeiros domadores de ignominiosas vidas.
Enfim, disponham-no as maiores distrações e regalias. 
Tratem de deixá-lo pasmo com o tamanho da teletela.
Adornem-no com maquiagens e brilhos;
acabará esquecendo esse possível amor à vida.
Chamem o último.
O terceiro não se pronunciou.
Não consegue discernir se está morto ou vivo.
Essa é a pendência.
Terá que decidir:
Continuará vivo, enfiado em um limbo lustroso,
ou morto, simplesmente, desfrutando do ócio da não-vida? 
Decida-se, ser agoniante. 
Decida-se, ser ludibriado.
Tu és perda, estúpido.
Nem amas, nem lamentas. 
Não buscas, nem descansas.
Tu és um displicente.
Escolha teu lado.
Rápido e claro.
Não há não-escolhas.
Não há calmarias.
Não há desvios. 
Escolha.
Apegue-se a algo, rápido!
Tu és a certeza do erro.
Tu és correto. 
Tu não tentas.
Não escolher é falhar.
Não falhe consigo, ser deplorável.
Se quiseres permanecer calado, será jogado ao hospício.
Não aceitaremos essa loucura. 
Seu louco.
Seu pouco.
Por que me imitas? 
Por que repetes o que eu faço?
Não entendo, como pode ser idêntico a mim? 
Tu não és.
Tu és o não.
Tu és o Eu.
Tu és.
Tu não imitas.
Eu sou a imitação.
Sou, propriamente, você.
Sou Os outros.
Não sou.
Sou nada.
Sou cópia barata da mágoa herdada dos outros.
Sou consciência.
Sou displicência.
Sou lamento anafórico.
Sou insólito.
Sou reflexo.
Sou espelho
Do que
Eu 
Não
Sou

sábado, 3 de dezembro de 2016

A calmaria do afogado.

Entre vômitos e
lágrimas,
a verdadeira calmaria chegou.
Inóspita.
Sublime.
Quase como um esquecimento.
Quase como uma aceitação.
Não sabia que era possível
tratar amor
com solidão.
Isolado, torturado pelo silencio,
encontrei um caminho:
Minh’ alma, cansada dessa verborragia,
passará por um completo desvario.
Conhecerá o passado
que meu corpo desconhece.
Encontrará o destino
que minha mente nunca ousou imaginar.
O Mar,
núncio da finada alegria,
nunca cessará.
Continuará preso entre os meus
lapsos mnemônicos.
Desbravará o desconhecido.
Residirá em meus pensamentos.
Frio.
Insólito.
Vívido.
Não me culpe,
como eu poderia me esquecer de algo que me afogou?
Sou fraco.
Sou pouco.
Sou vento.
Minha calmaria,
por vezes distante,
é a certeza que tu estás
cristalina.
Desculpe, Mar.
Já lhe atirei flores.
Coloquei a carta na garrafa
e deixei que as ondas levassem.
Talvez, Mar, tenhas medo do desconhecido.
E de qualquer forma, se te cansa seres,
ah, cansa-te nobremente.
E não percas, como eu, a vida por amores longos, complexos;
amores cujas causas são transcendentes;
amores únicos,
como o meu pelo Mar.
Tu continuarás sendo o Mar.
O Mar que desbrava.
O Mar que dança.
O Mar capaz de desmembrar o verbo mais repetido na minha cabeça:
Amar.
Regará o amor.
Molhará os defeitos.
Inundará as tristezas.
Será paz.
Será imensidão.
Entretanto,
o redemoinho que ele deixou,
decerto,
será lembrado.
Eternamente a me afogar.  
Eternamente a amar.
Será calma.
Será alma.
Será calmaria.
Será Mar.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

sábado, 19 de novembro de 2016

O mar foi. O mar ia.


O vento, sorrateiro amigo, nunca me abandonou.
Continua a vagar pela tua imensidão.
Permeia-te por dentro, onírico; sem saber por onde ir.
Tuas ondas, insolitamente perfeitas, ofuscam meu pensar, meu ser.
                              
Perco-me em ti.
No teu todo, tão inverso ao meu, não encontro defeitos.
Não há tristeza.
Mas o vento, por mais sonhador, não interfere nas tuas ondas.

Oh, sorriso beatífico! Deixe-me vibrar-te.
Deixe-me navegar na tua completa maestria.
Esnobe tua sutil melancolia, Mar.
Não me deixes partir sem agitar-te por inteira.

Não tenha pena de mim.
Não sou portador de pleno conhecimento,
sou o nada que lhe faz falta.
Sou o vazio que tu desejas.

Conheço-te, conquanto custe tempo, mas não sei quem tu és.
Tu és onda, lágrima e dor.
Tu és pérola perdida, jogada ao ardor dos litorais.
Tu és o riso, a brisa, o todo.

Oh, vento! Desculpe-me
Pus-te numa completa ilusão.
Joguei-te num abismo.
Perdi-te, infantilmente, em meio à perfeição.

Por que, Mar?
Faz-te perfeita, Mar.
Não esperes por nada: Torna-te quem tu és.
Contarei aos ventos, meus amigos, o quão poderosas tuas ondas são.

O Teu brilho, Mar, será eterno.
Escusar-te-ás se não fores boba.
Tu és tudo.
Tu és mar.

Não esqueças, por fim, da tua marca.
Faz-te a amar, Mar.
Eleva-se às montanhas, Vida.
Deixe que os pobres, sem amor, gritem as mazelas ao mundo.

Ferva.
Perca.
Grite.
Perceba.

Só espero, conquanto sonhador, que tu me faças aquele favor;
Favor meigo, sem medo de ser criticado;
Tua fonte, o verdadeiro culpado:
Teu sorriso.

O único problema, Mar,
é que tu sempre vagará perfeita...
Permanecerei alheio a tua ira.
Sou mazela e mágoa.

Tu, inóspita, continua a vagar.
Perdeu-se em si.
Não me espere, ilusão.
Não busco nada além de ti.

Peço ajuda,
mas tu não percebes que existo.
Eu morria, sorria, perdia.
E tu, Mar,
ia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sem ser

Rene Magritté, Ideas, (*)



Morgadio solene, apedrejador do mundo contrário.
Compõe-se, de fato, erroneamente atado.
Perspicaz, não busca nada além de si.
Seja tudo! Ser, estrênuo, demasiado tolo.

Não notarás... A ciciante verdade, por mais alheia, sempre
chegará. Chegará! – Mas quem buscará entendê-la?
A linha é sempre mais tênue, mesmo na maior ode, para àqueles
cujas metas são rasas, neutras, calmas, infimamente inúteis.

O Discurso, uma completa verborragia, será aplaudido.
Mas, é claro, não tanto – A verdade, não há alguma verdade; só barulho.
Problemas. Gritos. Correria. Cansar-me-ei de tanta proficuidade desperdiçada.
Tantas inverdades, pomposas e cintilantes, enraizadas na mente do Ser.

Não há mais ser... O Caminho, no mais belo arcabouço existencialista, não existe.
Perdeu-se, vagaroso, em meio ao todo: O nada. Com a agrura a arrastar, o torpor reinará com
maestria. Pouco perfectível, permanecerei a aplaudir. Aplaudo, grito, exprimo um riso
hiperbólico de agonia e lamúria, e continuo despercebido.

Se eu continuar afável, compulsoriamente inserido, suponho que não serei flagrado.
Continuarei a esconder-me.
Não há verdade; mesmo errada, correta, perfeita, perdida, inóspita, não há erro: Só não há; só
esvazio, por mais inútil, a minha mente – indiscutivelmente inconsciente ­‑ no completo
vazio.

Não há recurso, o ser não é’ – Só reflete os impropérios proferidos.
A concupiscência reina, eternamente perfeita, em conjunto aos estúpidos.
Uma verdadeira orgia de dopamina... Ser perdido, ser o vazio, não seja isto. Não seja.
Simplesmente não perca o ser de si. Não há nada a perecer, isto é, além do ser, perecerei
eternamente –Pois não há nada para ser.  Sempre estarei sendo –Serei tudo o que não há para
ser. 

Só estarei ciente, inconsciente de minha ciência que não sei ser o Ser, que o vazio, por mais
sublime, é o que há 
para ser.  

domingo, 16 de outubro de 2016

Aboletar.

mc
Animal farm, George O.


Revela-se em um átimo,
desiste.
O Torpor sobrepõe-se à vida.
Alquebrado, continuo a não continuar.
Meu litígio, ou mente, nada mais contribui para com meu corpo;
tornou-se um apetrecho pouco funcional,
ou um sistema ceráceo, aos frangalhos,  sem remorso de estar ali.
Pena que não posso parar de pensar.
Invejo àqueles que conseguem tal portento;
imagina só, viver sem precisar pensar.
Viveria tão bem;
tão sóbrio de nada,
tão feliz com tudo,
contudo,
não haveria tristeza;
quiçá, remorso.
Haveriam flores, sorrisos e fotos.
Um completo estado nirvânico, com riquezas e glamour.
Tão sorrateiramente amiúde –
Criado, preparado, moldado e largado –,
todos tão ignominiosamente iguais.
Todos felizes, cantarolando, criando seus belos e sorridentes filhos.
Um verdadeiro amor fati às avessas.
Claramente, pincelado por De Masi, no completo e belo ócio.
Sem as durezas estupidas de Hamlet: Um ser doentio, simplório, possivelmente comunista, que, em seu ápice ao avesso, achou que era astuto o suficiente para questionar-se sobre o
Ser.
Coitado.
Possivelmente se alegraria se conhecesse a modernidade;
perderia menos tempo com coisas fúteis como essa.
Conheceria as milhões de possibilidades virtuais.
Cresceria com uma startup de sucesso.
Aprenderia a criar, preparar, moldar e largar.
Seria um completo igual.                                            
Feliz, como eles, em frente às teletelas; sem efemeridades, sem filosofia (Isso nunca foi necessário, sinceramente).
Completos camaradas,
enantiomericamente dispostos em filas iguais,
ruas iguais,
saídas iguais,
baladas iguais,
igualmente feliz,
diferentemente nocivo.
Sem indivíduos esdrúxulos o suficiente para encher-me com desvios, perdas de lucro, 
desvarios mnemônicos.
Continuarão seguros.
Ante àquilo, não há perdas.
Não há dor.
Não há diferenças. 
Diferença dói.
Não reconheço diferenças.
Só há uma crença correta: a igualdade.
Não a igualdade completa, lógico.
Porque alguns, por reterem mais, são mais iguais.
Mais completos.
Mais iguais ao meu desejo.
Não há motivos para sopesar ideias.
São todos iguais.
Alguns mais,
outros nem tanto.
Queria viver assim,
igualmente sorrateiro.
Sem pensar, questionar e, fora isso, sopesar.
Tão feliz.
Tão criado,
preparado,
moldado 
e largado.
Estupidamente pernicioso, porém, não veria nada mais que o igual.
O único problema,
em que decerto me encaixo,
é que não sou tão aprumado.
Só não tenho eixo,
meio 
ou espaço.
Perdi a forma e a forma.
Não me encaixo na remessa; sou jogado, não largado.
Questionado se questiono o inquestionável.
Esfalfando por onde passo;
mesmo sem espaço;
um simples lapso,
de diferença à ofensa.
Pena que já estou me esvaindo.
Completamente sem espaço.
Nem lapso de inteligência,
isso quase não há mais.
A meada já está perdida há tempos.
Pois o igual,
além de astuto,
perdeu forma;
virou tudo.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Erosfilia (III)

The Lovers. Rene Magritte, 1928.

Se há, enfim, um significativo começo,
não serei eu a declamá-lo.
Tua inescrutável insensatez, por um simples ser,
que nada és, conquanto não há o que ser,
sempre será triste:
Demasiada esqualidez para alguém assim,
desconexamente alheia de minha paixão, a arrefecer
todo colérico sentimento.
Tu não coexiste, habitas ou vives aqui.
Tu és o cúmulo de minha constante letargia.
Refiro-te, pesaroso, mas continuo afável à tua amiúde
arrogância; quem, mesmo em seu ápice grego de eudaimonia,
cederia esse aturdido tempo a amores tão lamuriosos; homiziada, insólita, Demiurga denominada,
entrementes, como paixão.
Desculpe, ser.
Tu perderas tua primazia.
Que reines noutro inferno, noutra mente... não há diferença.
Continue a labutar-te em lágrimas.
Tu, que já não vives mais nessa súcia chamada amor, não sentes que o desejo, por mais
enervante, tornou-se vago,
tão inóspito, que jamais fora reencontrado entre minhas, estranhas, entranhas amargas.
Tu perdestes teu tudo, tornou um ser-para-o-nada,
e, incautamente, não restou nem a mais ignóbil das expressões:
Tu és tão vazia, que não há necessidade de, por fim, transformar toda esta baboseira
em uma Erosfilia; tu não és digna de tal portento.
Perdão, ser-ímpio.
Não és mais meu Telos.
Tu amainaste todo e qualquer desejo,
A agrura a arrastar, contudo, perdeu a razão.
Não há mais, mesmo com todo o meu elucubrar, uma razão para chorar.
Teu olhar, beatífico como um todo, perdeu o  brilho;
esvaziou-se por inteiro... Como os olmos, sem o leucoma no olhar de
um pensador displicente, perdem o sentido de sua existência.
Perdão, ser, demasiado nada, sendo tu que não há para ser.
Não há mais nada para ser, tu já perderas tua chance de tentar ser algo.
Negaste, empáfia, tu.
Negaras por si,
ou por algo desconhecido.
Viverás ao mais baixo nível: Sem amor.
Estás marcada.
Seu coração, se, por fim, existir, fugirás em um átimo.
Cansado.
Pobre receptáculo sem corpo.
És o envolto da paixão, mas sem um ser, ser-para-a-melancolia, não és nada.
Perdão, coração,
por tratar-te com tamanha revelia.
Não sou possuidor de infinita solidão, a morte, oneroso ser, não chegou à casa.
Enfim, ser-fútil.
Tu não mereces atenção,
nem mesmo minhas árduas palavras:
Promovendo uma aquiescência na mixórdia chamada mente.
Ignaras.
Centelhas.
Sem ordem, ante à vida, diante do fato; não há razões. 
Perdidas nas mais tépidas alucinações.
São meras palavras largadas,
que mal interpretadas,
podem até parecer,
que no fim de toda essa contrafação,
eu, alheio ser, poderia  tomar a simples conclusão:
Amo-te, só não sei quem tu és.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Fibonacci

Van gogh, Tournesols


O quê?
Não me julgue com seus olhos castanhos
Sou racional, insensível
Quero ter boas escolhas
Escolhas as quais eu não me arrependa

Se te questionas como posso ser racional
Não sou, só finjo
Sou humano
Vivo porque tenho sentimentos
Sinto o vento em meu rosto
Meu coração a bater
Sinto o que não deveria sentir; o amor

A antítese à racionalidade
Mas sem ele não sou nada
Pois, por que viveria?
Sem o amor
Teria motivos para desistir dessa vida
Acabando com ela em um rápido e delicado suicídio

Mas, paradoxalmente, amo a razão
Ela é a tentativa de concatenar meus pensamentos
Pulsam sentimentos
Brotam idéias
Criam hipóteses

Tento ser racional porque desejo me entender
Sem minha racionalidade
Seria apenas mais um turbilhão
Desajeitado, impulsivo, pérfido
Que não consegue distiguir o quê é real
Do que é fantasia

Não sou insensível, senhora
Estou apenas tentando não naufragar
Este mar dos sentimentos é turbulento
Cila e caríbdis andam a nos espreitar
E eu não pretendo afundar tão cedo

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Viver?

                                 Brick People by Donna Dobberfuhl
Nascem grandes,
Cabeças cheias de sonhos.
Crescem vazios,
Meras engrenagens numa máquina.

“Sonhar não te leva a lugar algum”,
Dizem aqueles cujos sonhos lhes foram arrancados.
“Se quiser algo, lute por isso”,
Dizem aqueles que controlam as oportunidades.

Não estude, decore.
Não aprenda, reproduza.
Viver não dá dinheiro.
Viva para conseguir dinheiro.

Viva para ser.
O que? Não faz diferença.
Mas só importa se for lucrativo.
Se não for, é burrice.

“Mas e se for meu sonho?”
Ninguém vive de sonhos.
Sonhar não dá dinheiro.
Arruma um emprego, ingênuo.

E assim, nos ensinam.
Somos criados dessa forma.
Moldados desde a infância
Para nos tornarmos o melhor dos tijolos no muro.

Um universo de sonhos,
De esperanças,
De vidas.
Tudo comprimido em um mísero bloco desprezível.

Só mais um dentre bilhões.
Quem vai importar-se com ele?
Quem vai protegê-lo?
Quem vai amá-lo?

Talvez haja outra forma.
Talvez isso não seja definitivo.
Mas quem vai arriscar o diferente?
Quem vai abrir mão de seu lugar no muro?

“Eu quero viver”,
Diz o refugiado,
Diz o pobre,
Diz o empresário,
Diz a mulher,
Diz o ator,
Diz o filósofo,
Diz o político,
Diz o criminoso,
Diz o pai,
Diz o filho,
Diz o moribundo.
E todos dizem:

“Eu só quero viver”