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| Animal farm, George O. |
Revela-se em um átimo,
desiste.
O Torpor sobrepõe-se à vida.
Alquebrado, continuo a não continuar.
Meu litígio, ou mente, nada mais contribui para com meu
corpo;
tornou-se um apetrecho pouco funcional,
ou um sistema ceráceo, aos frangalhos, sem remorso de estar ali.
Pena que não posso parar de pensar.
Invejo àqueles que conseguem tal portento;
imagina só, viver sem precisar pensar.
Viveria tão bem;
tão sóbrio de nada,
tão feliz com tudo,
contudo,
não haveria tristeza;
quiçá, remorso.
Haveriam flores, sorrisos e fotos.
Um completo estado nirvânico, com riquezas e glamour.
Tão sorrateiramente amiúde –
Criado, preparado, moldado e largado –,
todos tão ignominiosamente iguais.
Todos felizes, cantarolando, criando seus belos e sorridentes
filhos.
Um verdadeiro amor fati às avessas.
Claramente, pincelado por De Masi, no completo e belo ócio.
Sem as durezas estupidas de Hamlet: Um ser doentio, simplório,
possivelmente comunista, que, em seu ápice ao avesso, achou que era astuto o
suficiente para questionar-se sobre o
Ser.
Coitado.
Possivelmente se alegraria se conhecesse a modernidade;
perderia menos tempo com coisas fúteis como essa.
Conheceria as milhões de possibilidades virtuais.
Cresceria com uma startup de sucesso.
Aprenderia a criar, preparar, moldar e largar.
Seria um completo igual.
Feliz, como eles, em frente
às teletelas; sem efemeridades, sem filosofia (Isso nunca foi necessário,
sinceramente).
Completos camaradas,
enantiomericamente dispostos em filas iguais,
ruas iguais,
saídas iguais,
baladas iguais,
igualmente feliz,
diferentemente nocivo.
Sem indivíduos esdrúxulos o suficiente para encher-me com desvios, perdas de lucro,
desvarios mnemônicos.
Continuarão seguros.
Ante àquilo, não há perdas.
Não há dor.
Não há diferenças.
Diferença dói.
Não reconheço diferenças.
Só há uma crença correta: a igualdade.
Não a igualdade completa, lógico.
Porque alguns, por reterem mais, são mais iguais.
Mais completos.
Mais iguais ao meu desejo.
Não há motivos para sopesar ideias.
São todos iguais.
Alguns mais,
outros nem tanto.
Queria viver assim,
igualmente sorrateiro.
Sem pensar, questionar e, fora isso, sopesar.
Tão feliz.
Tão criado,
preparado,
moldado
e largado.
Estupidamente pernicioso, porém, não veria nada mais que o igual.
O único problema,
em que decerto me encaixo,
é que não sou tão aprumado.
Só não tenho eixo,
meio
ou espaço.
Perdi a forma e a forma.
Não me encaixo na remessa; sou jogado, não largado.
Questionado se questiono o inquestionável.
Esfalfando por onde passo;
mesmo sem espaço;
um simples lapso,
de diferença à ofensa.
Pena que já estou me esvaindo.
Completamente sem espaço.
Nem lapso de inteligência,
isso quase não há mais.
A meada já está perdida há tempos.
Pois o igual,
além de astuto,
perdeu forma;
virou tudo.

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