![]() |
| The Lovers. Rene Magritte, 1928. |
Se há, enfim,
um significativo começo,
não serei eu
a declamá-lo.
Tua
inescrutável insensatez, por um simples ser,
que nada és, conquanto não há o que ser,
sempre será triste:
Demasiada
esqualidez para alguém assim,
desconexamente
alheia de minha paixão, a arrefecer
todo colérico
sentimento.
Tu não coexiste,
habitas ou vives aqui.
Tu és o
cúmulo de minha constante letargia.
Refiro-te,
pesaroso, mas continuo afável à tua amiúde
arrogância;
quem, mesmo em seu ápice grego de eudaimonia,
cederia esse aturdido
tempo a amores tão lamuriosos; homiziada, insólita, Demiurga denominada,
entrementes,
como paixão.
Desculpe,
ser.
Tu perderas
tua primazia.
Que reines
noutro inferno, noutra mente... não há diferença.
Continue a
labutar-te em lágrimas.
Tu, que já
não vives mais nessa súcia chamada amor, não sentes que o desejo, por mais
enervante,
tornou-se vago,
tão inóspito,
que jamais fora reencontrado entre minhas, estranhas, entranhas amargas.
Tu perdestes
teu tudo, tornou um ser-para-o-nada,
e,
incautamente, não restou nem a mais ignóbil das expressões:
Tu és tão
vazia, que não há necessidade de, por fim, transformar toda esta baboseira
em uma
Erosfilia; tu não és digna de tal portento.
Perdão,
ser-ímpio.
Não és mais
meu Telos.
Tu amainaste todo
e qualquer desejo,
A agrura a
arrastar, contudo, perdeu a razão.
Não há mais,
mesmo com todo o meu elucubrar, uma razão para chorar.
Teu olhar,
beatífico como um todo, perdeu o brilho;
esvaziou-se
por inteiro... Como os olmos, sem o leucoma no olhar de
um pensador
displicente, perdem o sentido de sua existência.
Perdão, ser,
demasiado nada, sendo tu que não há para ser.
Não há mais
nada para ser, tu já perderas tua chance de tentar ser algo.
Negaste,
empáfia, tu.
Negaras por
si,
ou por algo
desconhecido.
Viverás ao
mais baixo nível: Sem amor.
Estás
marcada.
Seu coração,
se, por fim, existir, fugirás em um átimo.
Cansado.
Pobre receptáculo
sem corpo.
És o envolto
da paixão, mas sem um ser, ser-para-a-melancolia, não és nada.
Perdão,
coração,
por tratar-te
com tamanha revelia.
Não sou possuidor
de infinita solidão, a morte, oneroso ser, não chegou à casa.
Enfim,
ser-fútil.
Tu não
mereces atenção,
nem mesmo
minhas árduas palavras:
Promovendo
uma aquiescência na mixórdia chamada mente.
Ignaras.
Centelhas.
Sem ordem,
ante à vida, diante do fato; não há razões.
Perdidas nas
mais tépidas alucinações.
São meras palavras
largadas,
que mal
interpretadas,
podem até
parecer,
que no fim de
toda essa contrafação,
eu, alheio
ser, poderia tomar a simples conclusão:
Amo-te, só
não sei quem tu és.

Nenhum comentário:
Postar um comentário