quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Fibonacci

Van gogh, Tournesols


O quê?
Não me julgue com seus olhos castanhos
Sou racional, insensível
Quero ter boas escolhas
Escolhas as quais eu não me arrependa

Se te questionas como posso ser racional
Não sou, só finjo
Sou humano
Vivo porque tenho sentimentos
Sinto o vento em meu rosto
Meu coração a bater
Sinto o que não deveria sentir; o amor

A antítese à racionalidade
Mas sem ele não sou nada
Pois, por que viveria?
Sem o amor
Teria motivos para desistir dessa vida
Acabando com ela em um rápido e delicado suicídio

Mas, paradoxalmente, amo a razão
Ela é a tentativa de concatenar meus pensamentos
Pulsam sentimentos
Brotam idéias
Criam hipóteses

Tento ser racional porque desejo me entender
Sem minha racionalidade
Seria apenas mais um turbilhão
Desajeitado, impulsivo, pérfido
Que não consegue distiguir o quê é real
Do que é fantasia

Não sou insensível, senhora
Estou apenas tentando não naufragar
Este mar dos sentimentos é turbulento
Cila e caríbdis andam a nos espreitar
E eu não pretendo afundar tão cedo

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