sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sem ser

Rene Magritté, Ideas, (*)



Morgadio solene, apedrejador do mundo contrário.
Compõe-se, de fato, erroneamente atado.
Perspicaz, não busca nada além de si.
Seja tudo! Ser, estrênuo, demasiado tolo.

Não notarás... A ciciante verdade, por mais alheia, sempre
chegará. Chegará! – Mas quem buscará entendê-la?
A linha é sempre mais tênue, mesmo na maior ode, para àqueles
cujas metas são rasas, neutras, calmas, infimamente inúteis.

O Discurso, uma completa verborragia, será aplaudido.
Mas, é claro, não tanto – A verdade, não há alguma verdade; só barulho.
Problemas. Gritos. Correria. Cansar-me-ei de tanta proficuidade desperdiçada.
Tantas inverdades, pomposas e cintilantes, enraizadas na mente do Ser.

Não há mais ser... O Caminho, no mais belo arcabouço existencialista, não existe.
Perdeu-se, vagaroso, em meio ao todo: O nada. Com a agrura a arrastar, o torpor reinará com
maestria. Pouco perfectível, permanecerei a aplaudir. Aplaudo, grito, exprimo um riso
hiperbólico de agonia e lamúria, e continuo despercebido.

Se eu continuar afável, compulsoriamente inserido, suponho que não serei flagrado.
Continuarei a esconder-me.
Não há verdade; mesmo errada, correta, perfeita, perdida, inóspita, não há erro: Só não há; só
esvazio, por mais inútil, a minha mente – indiscutivelmente inconsciente ­‑ no completo
vazio.

Não há recurso, o ser não é’ – Só reflete os impropérios proferidos.
A concupiscência reina, eternamente perfeita, em conjunto aos estúpidos.
Uma verdadeira orgia de dopamina... Ser perdido, ser o vazio, não seja isto. Não seja.
Simplesmente não perca o ser de si. Não há nada a perecer, isto é, além do ser, perecerei
eternamente –Pois não há nada para ser.  Sempre estarei sendo –Serei tudo o que não há para
ser. 

Só estarei ciente, inconsciente de minha ciência que não sei ser o Ser, que o vazio, por mais
sublime, é o que há 
para ser.  

Um comentário:

  1. Belíssimo! Como não poderia deixar de ser. Ou não ser. rsrsrs

    Enquanto me enviavas esse poema, outro eu escrevia.

    Vê lá.

    http://domeiodoredemoinho.blogspot.com.br/2016/11/o-livro-dos-dias.html

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