Entre vômitos e
lágrimas,
a verdadeira calmaria chegou.
Inóspita.
Sublime.
Quase como um esquecimento.
Quase como uma aceitação.
Não sabia que era possível
tratar amor
com solidão.
Isolado, torturado pelo silencio,
encontrei um caminho:
Minh’ alma, cansada dessa verborragia,
passará por um completo desvario.
Conhecerá o passado
que meu corpo desconhece.
Encontrará o destino
que minha mente nunca ousou imaginar.
O Mar,
núncio da finada alegria,
nunca cessará.
Continuará preso entre os meus
lapsos mnemônicos.
Desbravará o desconhecido.
Residirá em meus pensamentos.
Frio.
Insólito.
Vívido.
Não me culpe,
como eu poderia me esquecer de algo que me afogou?
Sou fraco.
Sou pouco.
Sou vento.
Minha calmaria,
por vezes distante,
é a certeza que tu estás
cristalina.
Desculpe, Mar.
Já lhe atirei flores.
Coloquei a carta na garrafa
e deixei que as ondas levassem.
Talvez, Mar, tenhas medo do desconhecido.
E de qualquer forma, se te cansa seres,
ah, cansa-te nobremente.
E não percas, como eu, a vida por amores longos, complexos;
amores cujas causas são transcendentes;
amores únicos,
como o meu pelo Mar.
Tu continuarás sendo o Mar.
O Mar que desbrava.
O Mar que dança.
O Mar capaz de desmembrar o verbo mais repetido na minha
cabeça:
Amar.
Regará o amor.
Molhará os defeitos.
Inundará as tristezas.
Será paz.
Será imensidão.
Entretanto,
o redemoinho que ele deixou,
decerto,
será lembrado.
Eternamente a me afogar.
Eternamente a amar.
Será calma.
Será alma.
Será calmaria.
Será Mar.

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